Há algum tempo, já tenho a vontade de falar de alguns filmes que vi, porém nunca me sobra tempo para escrever. Por isso, hoje vou adiantar um pouco isso e falar a respeito de dois longas neste único post. As duas obras cinematográficas aqui apresentadas, apesar de tão destoantes, ainda tem pontos em comum. É curioso perceber, por exemplo, que, em ambas as histórias, os personagens não tem nomes. (Pasmem! Eu só percebi isso no momento dos créditos!) (Pasmem! [2] Isso aconteceu nos dois filmes! rsrs)
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O primeiro deles foi um presente de uma amiga: "Apena uma Vez" (
Once). Tomei curiosidade pelo filme logo depois que vi Kris Allen interpretando sua música tema em uma das apresentações no American Idol. Mais tarde, descobri que a música ganhou o Oscar de melhor canção original em 2008, concorrendo com várias outras do filme "Encantada" e mais alguma que não recordo no momento.
A história ambientada na Irlanda nos apresenta aos personagens de Marketa Iglova e Glen Hansard, ambos desiludidos com seus relacionamentos e aprisionando ambições em seu corações (mais ele do que ela). Por mais clichê que possa parecer, "Apenas Uma Vez" (fazendo jus ao título) não é um tipo de filme que encontra pares. Obra de beleza única, harmoniosa e tocante - repleta de belíssimas canções em cenas inocentes, mas capazes de trazer a maior das comoções.
Destaco a interpretação tão pura e genuína de Marketa (que sequer tem carreira de atriz). Sua personagem é adorável e, assim como o personagem do rapaz, facilmente identificável com o público, visto não estar em uma das condições financeiras mais desejáveis. Lindas canções unidas a uma linda história que você não pode deixar passar!
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A segunda obra já gerou muita polêmica, mas só ontem pude conferir. "Ensaio sobre a cegueira" (
Blindness) trouxe às telas, depois de muitas tentativas, o famoso livro do português José Saramago, escrito em 1995.
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Um homem se vê cego em meio ao trânsito de uma cidade desconhecida. A partir daí, a doença batizada de "cegueira branca" começa a se espalhar como uma peste e os infectados são obrigados a viver isolados da sociedade numa quarentena de proporções desumanas. Em meio a isso tudo, temos a personagem de Juliana Moore, única a não ser infectada pela doença e também a única a enxergar tão nitidamente a degradação que toma conta dos personagens envolvidos.
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Não vou enganar você. Não é um filme "bonitinho". É tenso. É chocante. É perturabador e, em alguns momentos, desesperador. Porém, o maior choque esteja em saber que a realidade representada ali através dos personagens perdidos na cegueira poderia facilmente saltar das telas, caso tamanha catástrofe acontecesse. Juliana, porém, foi impecável no papel de "mulher do médico" e demonstra com firmeza a angústia e o desespero de todos aqueles que percebem a "cegueira" já instalada em nossa sociedade.
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O grande trunfo destas duas obras está no fato de terem sido filmadas fora do círculo hollywoodiano e, ainda assim, manterem um padrão de qualidade tão elevado. Para mim, não se trata de cinema alternativo. É apenas uma prova de que cinema de qualidade não está condicionado a uma única fonte.
Leandro Neri
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